A porta fecha, o motorista arranca e o resto fica para trás. Á medida que a velocidade aumenta e a chuva bate no vidro da minha janela a fazer concorrência às lágrimas que me correm pelo rosto, eu penso em coisas simplesmente complicadas, como a distância, a saudade e a ilusão.
Mas como reza o ditado, “não há dor que o tempo não cure” e eu rezo para que seja verdade.

Abstraiu-me da confusão que se instalou permanentemente na minha cabeça e vejo com olhos de ver o que me rodeia. A vida não parece ser tão complicada quando a vemos do lado de fora. Reparo, discretamente, num casal de idade que vai sentado uns lugares à minha frente. Entraram na mesma paragem que eu, ouvi-o a sussurrar-lhe, muito calmamente, que ia correr tudo bem e que ela não precisava de ficar nervosa porque ele estava ali. Depois deu-lhe a mão e ajudou-a a subir. Ela sorriu, disse-lhe que mesmo já estando habituada a fazer aquela viagem, fica sempre mais descansada com as palavras que ele repete, todas as vezes que vão visitar os filhos a Espanha, com o mesmo brilho no olhar e a mesma voz meiga que tinha á quase 50 anos atrás quando se conheceram. E voltou a sorrir. Agora vai com a cabeça encostada no ombro dele e ele a segurá-la, com a sua mão grande e envelhecida. Parecem dois adolescentes no inicio da paixão e, na verdade, já devem ter umas largas décadas de amor e respeito. É realmente bonito vê-los.
A camioneta pára na última paragem antes de chegarmos a Espanha. Volto a cabeça para o lado e levanto-me, instintivamente, para ajudar uma senhora a sentar-se. Ela agradece delicadamente e pergunta-me se me posso sentar ao seu lado, eu digo rapidamente que sim e sento-me. Explica-me que vai ver um neto, mas não gosta de ir calada e sozinha o tempo todo. Eu, com um tom de riso, digo-lhe para ela estar à vontade, então ela começa a contar-me a sua vida. É, de facto, uma grande mulher! Os pais morreram quando ela tinha 12 anos, foi trabalhar para cuidar dos 3 irmãos mais novos, depois conheceu um homem e passado uns anos casaram-se. Refere que se casou novinha, ainda tinha 18 anos, mas não se arrepende. Teve duas filhas e tem agora quatro netos e é um deles que vai visitar. Com as lágrimas nos olhos, diz-me que o marido morreu á 10 anos com um cancro e que passado um ano, ela decidiu que ia ajudar as pessoas de idade a não se sentirem sozinhas. Abriu um lar e lá mora com os 20 hóspedes e as 8 enfermeiras. Ri-se e continua, dizendo que se tornaram uma grande família sempre pronta para aumentar e que a mensalidade não é alta, porque, infelizmente, a vida não foi generosa com toda a gente como foi com ela, apesar de tudo e, que o dinheiro não lhe faz falta, mas sim os amigos que foi ganhando.
Eu limito-me a sorrir, estou tão entalada que as lágrimas caem-me sem eu as conseguir deter.
Ela limpa-me a cara e pede para eu falar um bocadinho de mim. Digo-lhe que tenho quase 19 anos, que vou passar uns tempos a Espanha e que depois de a ouvir, a minha vida não é nada ao lado da dela. Dá-me a mão e diz que, independentemente da idade, com o tempo as coisas vão ficando bem mais claras e fáceis e não devemos menosprezar nenhum momento, mas sim guardá-lo bem, porque bons ou maus, são todos os momentos da nossa vida que nos fazem crescer, que nos fazem ser quem somos. Olha-me nos olhos e salienta que sou muito novinha e ainda tenho muito para viver e aprender, que ainda vou chorar e rir muito mas que no fim das contas, tudo terá valido a pena e o importante é que eu lute para ser feliz.
Agradeço-lhe pela conversa, digo-lhe que a admiro muito e que um dia, quero ter a força dela. Dá-me o número de telemóvel e a sorrir, exige que lhe vá mandando mensagens. Aceno afirmativamente que sim, com a cabeça, e aperto-lhe a mão num gesto de respeito e agradecimento.
É incrível como, com aquela idade, consegue ser tão lutadora e moderna. É, sem dúvida, um exemplo a seguir.
A camioneta pára na última paragem antes de chegarmos a Espanha. Volto a cabeça para o lado e levanto-me, instintivamente, para ajudar uma senhora a sentar-se. Ela agradece delicadamente e pergunta-me se me posso sentar ao seu lado, eu digo rapidamente que sim e sento-me. Explica-me que vai ver um neto, mas não gosta de ir calada e sozinha o tempo todo. Eu, com um tom de riso, digo-lhe para ela estar à vontade, então ela começa a contar-me a sua vida. É, de facto, uma grande mulher! Os pais morreram quando ela tinha 12 anos, foi trabalhar para cuidar dos 3 irmãos mais novos, depois conheceu um homem e passado uns anos casaram-se. Refere que se casou novinha, ainda tinha 18 anos, mas não se arrepende. Teve duas filhas e tem agora quatro netos e é um deles que vai visitar. Com as lágrimas nos olhos, diz-me que o marido morreu á 10 anos com um cancro e que passado um ano, ela decidiu que ia ajudar as pessoas de idade a não se sentirem sozinhas. Abriu um lar e lá mora com os 20 hóspedes e as 8 enfermeiras. Ri-se e continua, dizendo que se tornaram uma grande família sempre pronta para aumentar e que a mensalidade não é alta, porque, infelizmente, a vida não foi generosa com toda a gente como foi com ela, apesar de tudo e, que o dinheiro não lhe faz falta, mas sim os amigos que foi ganhando.
Eu limito-me a sorrir, estou tão entalada que as lágrimas caem-me sem eu as conseguir deter.
Ela limpa-me a cara e pede para eu falar um bocadinho de mim. Digo-lhe que tenho quase 19 anos, que vou passar uns tempos a Espanha e que depois de a ouvir, a minha vida não é nada ao lado da dela. Dá-me a mão e diz que, independentemente da idade, com o tempo as coisas vão ficando bem mais claras e fáceis e não devemos menosprezar nenhum momento, mas sim guardá-lo bem, porque bons ou maus, são todos os momentos da nossa vida que nos fazem crescer, que nos fazem ser quem somos. Olha-me nos olhos e salienta que sou muito novinha e ainda tenho muito para viver e aprender, que ainda vou chorar e rir muito mas que no fim das contas, tudo terá valido a pena e o importante é que eu lute para ser feliz.
Agradeço-lhe pela conversa, digo-lhe que a admiro muito e que um dia, quero ter a força dela. Dá-me o número de telemóvel e a sorrir, exige que lhe vá mandando mensagens. Aceno afirmativamente que sim, com a cabeça, e aperto-lhe a mão num gesto de respeito e agradecimento.
É incrível como, com aquela idade, consegue ser tão lutadora e moderna. É, sem dúvida, um exemplo a seguir.
O motorista pára, a porta abre, despeço-me da minha companheira de viagem e saio.
A distância, a saudade e a ilusão continuam a ser coisas complicadas, mas agora eu sei que elas fazem parte da minha vida e que vou aprender a lidar com elas.
Todo o resto que ficou para trás, vai fazer-me crescer tal como esta viagem fez.
Limpo bem os olhos, agarro na mala e vou em frente, a sorrir!
A distância, a saudade e a ilusão continuam a ser coisas complicadas, mas agora eu sei que elas fazem parte da minha vida e que vou aprender a lidar com elas.
Todo o resto que ficou para trás, vai fazer-me crescer tal como esta viagem fez.
Limpo bem os olhos, agarro na mala e vou em frente, a sorrir!
Sonhando e Vivendo, Aniram Avlis.
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