sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Inspira-me! Faz a diferença!

Mais um dia que acabou. A lua ilumina, mais uma vez, a noite estrelada que se põe e eu, sentada no baloiço de um sitio qualquer, começo a pensar na quantidade de pessoas que passam pelas nossas vidas e no quão cada uma, mesmo que passe despercebida, faz a diferença.
 Refiro-me às pessoas de idade que já cedi o lugar no metro ou no autocarro; ao senhor Reis da minha rua, que é extremamente amável comigo sempre que me vê e que tem sempre um sorriso e um desejo de um bom dia para me oferecer; á dona Maria, que lá vem no autocarro a reclamar de uma coisa diferente todos os dias; á dona Ana, que a ouve sempre com imensa atenção; ao senhor Manuel que se junta com os amigos no café duma rua que ninguém conhece – a minha – e que se vai embora sempre a dizer que este mundo está perdido, quando a conversa começa a fugir para a política; ao Quim, que anda sempre de um lado para o outro, sem rumo e maltratado pela vida e pelo caminho que escolheu, que é o mesmo que ele me mostra, todos os dias, que não devo seguir – a droga -;aos amores e desamores, que nos fazem sorrir e chorar; aos amigos que em troca de nada, nos fazem sorrir; á Ritinha, a quem dou um chupa em troca de um beijinho; ao senhor que passeia aquele pinsher no jardim da paragem que eu saio e que deixa o cãozinho me dar uma lambidela sempre que lhe apetece; a todos os outros que passam por mim e eu mal vejo; aos cantores que nos acompanham nas alturas de solidão e de festa; aos actores que nos entretêm nas noites mais frias enquanto estamos enrolados num cobertor em frente á lareira e aos escritores que nos fazem crescer e crescem connosco, á medida que nos ensinam algo novo com cada livro.
E eu admiro muito esses escritores que, seja de que forma for, nos mudam sempre um bocadinho, com cada palavra, com cada texto, com cada livro.
Fernando Pessoa é um desses escritores. Fez uma obra fantástica, conseguiu tornar tudo o que imaginava em realidade com os seus heterónimos. Era sem dúvida um homem e um escritor fantástico. Mas, segundo o que dizem, vivia na solidão. Isso só me faz ter mais a certeza de que os bons romancistas e poetas, só são tão bons porque a vida lhes magoa! Mas ele tinha uma inspiração, um amor, ainda que platónico. Chamava-se Ofélia, acho que nunca chegaram a ter momentos íntimos, nunca chegaram a ter uma relação, mas tinham sem dúvida algo muito bonito. Trocavam cartas de amor, tão ridículas e românticas como todas as boas cartas de amor devem ser. Penso que ele nunca a amou, mas o meu lado romântico incurável crê que ela não era apenas a sua companhia, era essencialmente a sua inspiração.

Para mim, todos aqueles que fazem a diferença, que dão algo de si a conhecer ao mundo, têm alguém que os inspire. E eu também tenho.
Não sei se algum dia vou fazer a diferença, mas dou as minhas palavras ao mundo, ainda que ninguém as ouça, por isso, também preciso de inspiração.
Podia ir buscá-la a várias coisas. Ao sol, ao cantar dos pássaros, às flores, ao mar – o mar é realmente algo que eu admiro muito! Para além da sua beleza visível, engloba tantas outras que, infelizmente, nem toda a gente pode apreciar. Dá-nos tantas maravilhas e tira-nos outras tantas. Podia ser algo mau por isso, mas quando lá o vou visitar, não consigo olhá-lo com raiva porque ele acalma-me antes disso, e para mim, essa é uma das suas grandiosidades -, ao cheiro das árvores, ou ao barulho das folhas de Outono a estalarem – adoro esse som, adoro calcar as folhas secas que caem das árvores e sentir-me uma menina na flor da inocência, até porque é essa inocência que torna as crianças tão especiais e a mim, faz-me ver o que me rodeia duma forma bem mais bonita, bem mais pura. Porque a beleza é feita pelos nossos olhos e quem a vê nos sítios certos, é bem mais feliz. Talvez até sejam estas coisas tão simples que me dão inspiração, mas tu ainda completas tudo o que elas me fazem sentir. Tu, e todas as pessoas que fazem parte da minha vida á sua maneira.
A lua ainda me ilumina, e pensando melhor, também ela me inspira.

Sonhando e Vivendo, Aniram Avlis.

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