quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Quando o Amor bate à porta!


A vida nem sempre é clara, as pessoas nem sempre são o que aparentam ser e a porta nem sempre se abre ao amor certo! Mas se ele bater, a maçaneta não se gira sozinha…

A chuva dá graças de si e começa a cair com um ritmo apressado e continuo. A multidão num instante desaparece e ficam apenas aqueles dois corpos, sentados na relva molhada de um jardim qualquer, encostados a um guarda-chuva natural, grande, robusto e verde – como as árvores são nesta altura do ano quando as primeiras chuvas de fim de verão começam a ser cada vez mais frequentes – que os abriga e aconchega. A mão dele cobre-lhe o ombro como se a pudesse proteger de tudo e ela mantem-se clama, tranquila como se estivesse rodeada por uma força intocável. Continuam a falar, a rir ás gargalhadas, trocam tantos olhares como 

sorrisos mas nem sempre as palavras os acompanham - as palavras nem sempre são necessárias, existem pessoas que conseguem falar através do olhar, então não falam, “olham” e isso basta -. Entrelaçam as mãos, os sorrisos aumentam e o olhar torna-se um quanto envergonhado, tímido e eles, eles tornam-se duas crianças apaixonadas, inocentes, sem medo porque não veem maldade, porque são puros. Estão num lugar só deles, o sol ilumina-lhes os rostos, aquece-os e os seus lábios tocam-se, envolvem-se e tornam-se apenas um!
A chuva mantém o ritmo, a lua já tomou a sua posição e eles ainda ali estão, encharcados sem darem conta, porque isso não importa! E vá a noite adiante e venha o frio do relento que eles continuarão ali… A hora da despedida não lhes ganha à vontade de ficarem a falar, a rir ás gargalhadas e a trocar tantos olhares como sorrisos e agora, beijos.
Na verdade, são dois corpos adultos, com receios e passados, com uma vida para trás que os magoou e fê-los ser precisamente quem são hoje! Mas estão a descobrir algo valioso, que não vem quando nós queremos nem desaparece quando nos faz sofrer, o amor! Esta palavra multifacetada que quando aliada á paixão nos faz sorrir e chorar, querer tudo duma só vez e ficar sem nada quando as perdemos, estas palavras também já constaram nas páginas destes dois mas não foram as certas, não tinham que ser e quem sabe se estas serão? Eu não sei, eles também não! No entanto deixam que elas os invadam, tomem conta deles, das suas atitudes, para que se preencham mutuamente com a calma e o devagar que os adultos impõem e a sinceridade e pureza que as crianças refletem. Mas e se não forem? Podem acabar magoados mais uma vez, juntar esta a outras tantas desilusões que delas resultaram as lágrimas escorridas, as noites mal dormidas e os dias mal vividos. Mas não importa! Se virarmos as costas ao amor nunca saberemos se iriamos ser felizes ou não. Por isso eles vão tentar, vão desafiar a vida e o destino logo lhes responderá…


A vida nem sempre é clara, as pessoas nem sempre são o que aparentam ser e a porta nem sempre se abre ao amor certo! Mas se ele bater, eu vou girar a maçaneta! 



Sonhando e Vivendo, Aniram Avlis.

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