quinta-feira, 9 de junho de 2011

Há dias assim...

"Há dias em que acordo com dez anos, o cabelo despenteado e os olhos a brilhar como duas estrelas. Podes estar ou não ao meu lado a dormir como uma criança, ou a viver na minha memória, mas sinto sempre o teu cheiro e oiço a tua respiração regular e vejo o teu peito a subir e a descer ao ritmo do teu coração. O ar enche-se de açúcar em camadas invisíveis que se espalham por toda a casa e nos acompanham à rua quando saímos, sempre atrasados, porque nunca nos queremos separar." 
Há outros dias em que acordo exactamente com a mesma idade, o cabelo igualmente despenteado e os olhos igualmente brilhantes. Nesses dias tu não estás ao meu lado a dormir como um pequeno anjinho sem asas, o teu cheiro e o sinal do teu respirar perduram, mas o meu brilhar de olhos e o meu recuo de idade devem-se ao facto de que lá para a tarde, quando o sol ainda estiver a repousar antes de ir dormir, eu vou-te ver, vou-te abraçar e vou dizer bem baixinho ao teu ouvido, para que não sejam os teus tímpanos que ouçam mas sim o teu coração, que te amo. Aí o brilho no olhar aumenta, os dez anos aumentam para a idade da adolescência (onde eu sou uma tonta apaixonada), o meu coração acelera mais que um carro de corridas e por fim, com uma ansiedade discreta, os meus lábios tocam os teus e logo esboçam um sorriso que permanece enquanto o meu radar de visão te detectar.


Sonhando e Vivendo, Aniram Avlis.

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